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A VIRTUALIZAÇÃO DO SER HUMANO

O que nos torna seres humanos?

Somos seres da terra e na terra interagimos em um processo dinâmico na reinvenção de nós mesmos.

Até bem pouco tempo o desenvolvimento das relações humanas não podia ocorrer se não pela presença dos seres humanos junto aos seus semelhantes. Era nesse contato, de olhar olho no olho. De sentir o calor no apertar das mãos ou no abraçar que cada um de nós se sentia de fato o que o que julgamos ser.


Com o tempo reinventamos um jeito novo de nos comunicar. A nossa ausência era minimizada pelas nossas palavras em forma de letras. Através das cartas tentávamos descrever a realidade, que muitas vezes se fazia carregada das nossas emoções. Ficávamos imaginando o que pensaria o destinatário ao ler os nossos escritos e nesta mesma expectativa aguardávamos as respostas. A carta era a voz de longe que demorava ser escutada. Demos a ela um ar de romantismo e de posteridade. E sempre que lembrássemos dos nossos semelhantes poderíamos refrescar sua presença pelas suas palavras.

Como as cartas demoravam para chegar e nossa urgência aumentava cada vez mais, experimentamos um novo jeito de nos comunicar. E pelos fios elétricos a nossa vos podia caminhar milhares de quilômetros em fração de segundos. Era a voz sem presença. Ganhou-se em rapidez, perdeu-se em romantismo, em impressões digitais, em selos das localidades e em óleos essenciais que mesmo em fragmentos poderiam chegar aos destinos. Se foi a subjetividade em favor da objetividade. E o processo criativo se tornou improvisadamente empobrecido.

Para compensar do falar sem sentimento, adentramos em um novo sistema de relações sociais. Podemos falar ao mesmo tempo para milhões de pessoas. Que não precisam necessariamente possuir rostos, cheiros, calor humano, sentimento, intonação de voz, porque já não são mais humanos da terra. São ondas que vagueiam pelo espaço e que são captadas por antenas e convertidas em imagens. Estamos diante do Ser Humano Virtual. Alguém que não possui endereço material e quem sequer precisamos conhecer. É apenas um estímulo ou uma resposta.

Nesse processo evolutivo, o próximo passo do Ser Humano ocorrerá no sentido de plugar o seu cérebro a uma máquina e sentir o mundo através dos programas de computador. Não precisará mais de nenhum de seus sentidos. Será eternamente feliz, virtualizado, reinventado em cada ato de reorganização das estruturas terciárias de suas proteínas.

Aos que se negarem ao arrastão tecnológico, lembremos que tudo isso começou quando deixamos de exercer os papéis para os quais as nossas estruturas corporais foram preparadas e passamos a nos fixar nas ideias introjetadas em nossas mentes pelos sistemas de comunicação de massa. Que sem nenhum pudor diz a cada dia, cada hora e a cada segundo, o que precisamos para ser felizes.

Carros, casas, roupas, celulares, televisores, ...

Se é verdade que precisamos de parte dessas coisas, também é verdade que precisamos de tudo?

Esse desejo exacerbado de possuir não tem nos escravizado?

Quantas pessoas não se tornam Foras da Lei pelo desejo de possuir algo que o outro têm?

Pois bem. Eu sei do que realmente eu preciso nessa jornada que se chama Vida:

Preciso tocar o solo com os meus pés. Respirar o ar enriquecido com oxigênio pelo vegetais e por microorganismos. Preciso sentir a suavidade da brisa da noite. Degustar os sabores da terra. Abraçar as pessoas que fazem parte minha vida. Escutar as palavras por elas proferidas. Sentir os cheiros e gostos. Correr na areia e na relva. Brincar como criança. Tudo na simplicidade que a natureza concede. É isso tudo que me torna REAL, mesmo que seja realidade questionada. É isso que torna a minha mente saudável e me dar vontade de viver muitos anos, tendo a plena certeza de que um dia retornarei para a terra no estado mais natural que possa existir. E serei novamente BARRO e SOPRO DE VIDA. Cada um a cumprir outra jornada. O BARRO novamente será moldado. E o SOPRO de retorno à sua origem dará conta das ações realizadas conjuntamente na TERRA.

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