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Vulnerabilidade Socical em Planaltina - DF ou em outros lugares

A vulnerabilidade social pode ser entendida como processo que decorre da sucessão de ações de violência praticadas ou sofridas pela sociedade no que concerne ao abandono afetivo, abandono moral, abandono ético, abandono político, abandono econômico, abandono intelectual, abandono humanitário, abandono social. O ser abandonado é por natureza, um ser vulnerável.
 
Desde quando escutei da boca de um agente público que a vulnerabilidade social que atinge a população de Planaltina-DF é da ordem de 64% declinei-me em profunda preocupação e meu olhar sobre a cidade passou a ser mais criterioso.
Pensando com os meus botões: "se do montante de todos os moradores abstrairmos os servidores públicos, comerciantes e fazendeiros, o que sobra?"
 
- Trabalhadores que em grande medida são provedores de renda para muitos moradores de uma mesma residência;
- Pessoas que não estão inseridas no mercado formal com percapta familiar muita abaixo da renda geral das famílias do DF;
- Lares cujas estruturas familiares estão aquém das condições mínimas para a boa formação do indivíduo;
- Poucas oportunidades de qualificação profissional e emprego para pessoas em idade produtiva;
- Poucas opções de lazer para crianças, adolescentes e jovens.
 
Ou seja, a combinação: baixa renda familiar, poucas oportunidades de lazer, escassas oportunidades de acesso à qualificação profissional e emprego e desestruturação familiar, dentre outros fatores, resulta em vulnerabilidade social.
 
As consequências dessa conjunção de fatores é o desânimo e adoecimento precoce da população e a violência urbana, males que se repetem em grande parte dos municípios brasileiros.
 
Em primeiro olhar é possível que a população se convença de que a melhor forma de melhorar a saúde da população é construir e equipar unidade de saúde e, contratar mais médicos e outros profissionais da área.  O que na perspectiva da medicina curativa é bem verdade mas que do ponto de vista da medicina preventiva, outras situações precisam ser consideradas, dentre as quais, a vida emocional da pessoa, que é um dos postos de partida para o estado de bem estar ou mal estar, de saúde plena ou adoecimento pleno.

Com relação a violência urbana é prudente que se observe a violência enquanto fator sistêmico, aprende-se a ser violento expondo-se à violência, sofrendo a violência, sendo consumido por ela. Ser violento, por infelicidade, é uma opção pouco sensata, mas para muitas pessoas torna-se a opção que se apresenta:

- ser violento por precaução;
- ser violento por vingança;
- ser violento por status;
- ser violento por ser violento.

A população sofre pela perda, pela dor, pela fome, pelo desespero, pelo abandono afetivo, pela opressão. Estas são lições de violência e aparentemente as únicas ferramentas que se apresentam como potencialmente capazes de ajudar o ser humano diante da violência que sofre a não ser violento são: perdão e resiliência, advindos de algo que tem se perdido no decorrer da agitada vida da população, que é a capacidade de meditar no sentido da própria existência. Neste sentido, a violência surge como resultado da operacionalização do instinto de sobrevivência individual imediato em detrimento da razão de ser da coletividade contínua.

É importante lembrar que muito mais damos importância a violência em decorrência da disputa de territórios pela luta armada, mas não podemos nos furtar à compreensão de que existe grande violência na tentativa de convencer as pessoas explicitamente violentas de são elas as únicas responsáveis pela violência. A violência implícita que ocorre nos gabinetes à portas fechadas, nas jurisprudências casuísticas, nas mensagens subliminares propagas por seguimentos da imprensa são muitas vezes tão violentas quanto as ações da ignorância.

Neste sentido a vulnerabilidade social pode ser entendida como processo que decorre da sucessão de ações de violência praticadas ou sofridas pela sociedade no que concerne ao abandono afetivo, abandono moral, abandono ético, abandono político, abandono econômico, abandono intelectual, abandono humanitário, abandono social. O ser abandonado é por natureza, um ser vulnerável.

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