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O Dia do trabalho - dia do trabalhador

O trabalho é o meio pelo qual o ser humano se conecta com a natureza, a ela transforma e por ela se faz transformar na construção de si mesmo e no equilíbrio com o planeta. Distante do trabalho o ser humano não é mais do que uma pedra que cresce de fora para dentro e é talhada pela ação do artífice estrangeiro. Foi trabalhando que o ser humano se viu capaz de libertar-se da ação opressora e pela libertação de si mesmo entender que não poderia oprimir a quem lhe oprimiu.
 
Nesta semana trabalhadores de cerca de oitenta países comemoraram o 1º de maio - dia do trabalho. No Brasil este dia é marcado pelos festejos comandados pelas centrais sindicais, líderes de partidos políticos, artistas e trabalhadores anônimos que ajudam construir este país.
 
Quando criança, ouvia os mais velhos comentarem: vou trabalhar. Sinônimo de fazer algo, produzir resultados, prover o sustento familiar.
 
Assim, trabalhadores da construção civil, artesãos, profissionais liberais e tantos outros definiam a ação interventiva sobre algo. Trabalhador, na linguagem da época, era um termo para definir homens e mulheres de bem, dignos de constituir família e do respeito da sociedade, já que pelo "suor do próprio rosto" eram capazes de prover o sustento familiar.
 
Havia na época, certa diferenciação do grau de importância do trabalhador conforme a natureza do serviço que executavam e conforme a nível de renda agregada ao trabalho executado. Trabalhadores que trabalhavam expostos ao sol ou à condições precárias de trabalho eram vistos como pobres coitados. O contato que tinham com os filhos pouco, pois quando saíam de casa, seus filhos estavam dormindo e quando retornava, também, já se encontravam dormindo. Cabia as mulheres a educação dos filhos e estas, vistas como donas de casa, não eram respeitadas como trabalhadoras, pois o fruto do trabalho que desenvolviam em suas árduas tarefas domésticas não podia se traduzir em renda direta. No caso de muitos dos pais de família, em meio a precarização do trabalho que desenvolviam, acabavam por construir precárias vidas sociais nos botecos aos fim dos seus expedientes de trabalho e nos finais de semana. Enquanto as classes mais favorecidas podiam levar seus filhos ao teatro, restaurantes, ou a programas de lazer mais sofisticados, as classes menos favorecidas podiam se tinham que se contentar com as atividades de rua, campos de futebol ou a programas que, necessariamente não implicasse em movimentação financeira. Aliás, na medida em que as classes menos favorecidas se endividavam, muitos pais de família buscavam refúgio nas bebidas alcoólicas, o que acabava por agravar ainda mais os problemas.
 
Por outro lado, muitos trabalhadores e trabalhadoras, cansados da inércia que se estabeleceu e dos sistemas injustos que os oprimia foram à luta por melhores condições de trabalho e de renda. Neste embate entre os donos dos meios de produção e os donos da força de trabalho muitos trabalhadores foram massacrados ao redor do mundo. E o massacre fortaleceu a luta. E pela luta vieram as conquistas.
 
Conquistas que para serem mantidas precisam ser revividas, discutidas e rediscutidas. Daí justificado seja o dia do trabalho, ou melhor dizendo, dia do trabalhador.
 
Viva o trabalhador e a trabalhador!

 

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