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CARTA ABERTA PARA A ESPOSA AMADA

Querida esposa Paula Valéria Ribeiro de Castro Araújo,

Algo estranho ocorre comigo. Movo-me de uma profunda angustia que consome todas as minhas forças e já não sei o que fazer para conter. Meses já se passaram desde que escrevi a última carta e cheguei a acreditar que esta tarefa estava finalizada. Que águas passadas se faziam em minha vida. A inspiração havia sumido até começar a sentir esta angústia.
O mais estranho de tudo é que este sentimento sempre se movia com relação à pessoas de minha convivência, mas fora do meu ciclo de amizade e de família mas agora parece que tem a ver comigo mesmo. É como de um laço houvesse se quebrado ou estivesse prestes a se quebrar comigo tendendo a cair em desfiladeiro. Não sei ao certo explicar o que se passa mas em minha mente vejo vulto de um passado pouco familiar. De um segredo guardado mas não esquecido. de alguém disposto a fazer de tudo para mantê-lo.
Olho para você e vejo apenas perfeição. Uma ótima mãe, ótima esposa e formidável filha. Tento imaginar os motivo pelos quais você sempre me mantém na dúvida com suas respostas ricas em talvez, tanto faz ou não sei.
Tento imaginar o quanto estou errado e o quanto sou invasivo. Tento imaginar no que posso conseguir melhorar e me fazer digno de sua confiança. Penso que jamais conseguirei. Que apenas saberei sobre você por meio do exercício da dedução. Portanto sofro mas não penso em desistir.
Você é a pessoa com a qual sonhei um dia: no meio da mata fechada eu estava perdido e lá havia uma velha igreja em cujo interior se fazia um belíssimo templo. Sobre este templo eu jamais me enganei. á em você um templo muito mais belo do que eu consigo imaginar e é por isso que apenas em sonho contemplo o que a realidade me oculta.
És para mim a mulher mais bela que há neste mundo. A pessoa que muitas vezes pergunto se sou merecedor de tê-la como minha esposa.
Se apenas agora expresso estas palavras é porque apenas neste momento me sinto preparado para falar.
Tenho pressa porque recordo que a vida pode ser bem mais curta do que pensamos e embora espere ter muitas outras oportunidades para expressar por ti, o meu amor, sei que a luz em mim pode não durar todo o tempo que desejo.
Gosto do seu jeito de ser, de falar, de caminhar e até das broncas que recebo porque nelas se expressam sua personalidade marcante, de pessoa justa, honesta e decidida. Gosto de ser chamado de Amor e fico apreensivo ao ser chamado de César.
Você é Especial, muito mais do que eu possar falar ou pensar. Lamento por todas as vezes que não lhe presentei com flores. Por todas os aniversários não comemorados. Por todas as viagens que não fizemos e por todos os convites que não aceitei. Vejo o quanto fui frágil e pequeno de maneira tão intensa que não há como ser perdoado.
Esta carta, possivelmente, é a única forma que tenho para combater a angústia que neste exato momento me invade. Neste silêncio da noite. Onde o único som que escuto provem do sistema de refrigeração do notebook e das batidas descompassadas dos meus dedos em seu teclado.
Sei que não me sinto merecedor mas mesmo assim te peço: permaneçamos um só nesta vida. A aliança que carrego em meu dedo e que jamais tenho o desejo de retirar. Gosto do aperto que me causa e de de sua marca encravada em minha carne. Esta que é a única em metal precioso que já usei em toda minha vida é o símbolo do meu amor por você. É a aliança de ouro que sela a aliança da alma. Algo para além do corpo físico.
Te amo, amor da minha vida. Receba estas palavras como a mais sincera expressão dos meus sentimentos. Saiba que estarei ao seu lado nas lutas que haveremos de enfrentar

Do seu amado Paulo César Ramos Araújo.

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