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A fé, a esperança e o preconceito

Quem nos fez acreditar que o caminho a ser seguido era este e não ou outro?
Quem foi que me informou que eu estava certo e o outro estava errado?
Quem me ensinou a condenar ou absolver?
Quem me ensinou a desprezar o necessitado e acolher o abastardo?
Quem me ensinou a ler a parte que me abençoa e a parte que amaldiçoa o outro?
Este que me ensinou apenas uma parte do caminho. Não a parte que me pertencia, mas a parte que pertencia ao outro.

Seremos um dia capazes de olhar para as pessoas com o olhar dos cegos para enxergar apenas o seu interior. Seremos capazes de tocar no algodão surrado e sentir a maciez da ceda? Seremos capazes de para de nos digladiar perante bandeiras, cores, opiniões ou pontos de vistas?

Quão pobres nos tornamos. Quão miseráveis nos tornamos que já não mais enxergamos as pessoas enquanto pessoas. As enxergamos apenas enquanto credo, colocação social, grupamento ao qual pertence.

Por nossos atos acabamos por acolher o pecado e repudiar o pecador. Criamos monstros não mais enjaulados. Somos consumidos pelos mesmos males que repudiamos. No afã de combater um mal, criamos outro mal. Criminalizamos opiniões, comportamentos e argumentos. Atingimos  o limite do respeito e da honra. Extrapolamos todas as fronteiras do que chamamos de civilidade. E nessa cortina de calúnias, acabamos por nos consumir.

É lícito em nome da fé propagar o preconceito, o conceito e o pós-conceito?
É licito em nome do combate ao preconceito confrontar a fé e a esperança de quem crê?

Assistimos em rede mundial, um dos maiores embates de todos os tempos entre a fé no mundo espiritual e a cultura do mundo carnal. No foco do debate, ideia do corpo humano enquanto bem de propriedade da própria pessoa ou enquanto templo de habitação espiritual.

Seja como for, parece-nos que o debate é causa perdida para ambos os lados, visto que:

Primeira hipótese - considerando o materialismos evolucionista cada corpo humano é uma unidade autônoma e todas as emoções, sentimentos, comportamentos resultam de interações químicas desencadeadas a partir de um sistema que assume o instinto de sobrevivência. Neste caso o comportamento social seria apenas a manifestação das necessidades individuais do indivíduo frente a necessidade de sobreviver. Todas as sua ações neste caso seriam plenamente justificáveis, independentemente dos que pensam em contrário. Considerando que a vida é única, após a morte todas a existência do indivíduo terá reflexo apenas para os que permanecerem, já que sua consciência será consumida pela degradação das proteínas dos seu corpo.

Segunda hipótese - considerado o o espiritualismo criacionista casa corpo é morada do espírito cuja responsabilidade com o corpo físico vai além da vida material. Neste caso considera-se que o espirito tem a opção de assumir o processo de santificação ou de perversão. Em ambos os casos estes espíritos podem contar com a ajuda do plano espiritual divino ou do plano espiritual profano cujas entidades travam batalha espiritual que se reproduz no plano terreno. No campo de batalha, as almas possuem desafios diferenciados. Enquanto que as almas que desejam se aproximar do plano divinal procurariam se desfazer dos próprios desejos, combatendo contra a vaidade, a ganância, a soberba, e tantos outros desejos, as almas não afinadas com estas ideias se veriam liberadas para práticas que ao seu ver, de modo algum seriam contrárias ao que prega as almas que se opões às suas ideias.

A questão é que, diante desta guerra declarada, o mundo se torna um lugar cada vez pior para se viver. É como se todas as disputas existentes entre os seres humanos, fosse apenas distrações forjadas para encobrir o que realmente está acontecendo. E neste caso todos se sairiam perdendo.

Na realidade, os seres humanos permanecem sendo usurpados em possibilidades que jamais conhecerão. Com suas mentes aprisionadas em acusações e trocas de ofensas, não conseguem se atentar para o que realmente está acontecendo.

Considerado o materialismo evolucionista, podemos considerar que a terra enquanto organismo vivo trabalha para promover a autodestruição dos seres humanos. Certamente preservando uns poucos que estejam em condições de evoluir para uma próxima fase.

Considerando o espiritualismo criacionista, podemos considerar que no plano espiritual a divindade não está muito contente conosco já que princípios fundantes da fé são simplesmente abandonados pela adoção de práticas de automaculação do corpo que seja pela violação do corpo físico, quer seja pela violação dos princípios espirituais. Em ambos os casos poderíamos simplesmente discordar mas nem um dos lados aceitará que está errado ou que está excedendo, simplesmente porque são soldados treinados para reproduzir as falas que escutaram ou porque mesmo sabendo que estão errados, defende este teatro montado para justificar o próprio status social. Neste caso ou são materialistas disfarçado de espiritualistas e têm certeza da própria condenação e querem simplesmente aproveitar os seus dias de reinado na terra sendo servidos.

Nesse caso, apenas os esperançosos, com forme e sede de justiça seriam privilegiados, quer seja pela Mãe Natureza, quer seja pelo Rei da Glória. Quem viver muito mais verá...

Sobre mim mesmo. Sou apenas observador da história, lutando para não me tornar o maior nem o menor dos hipócritas.


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